“Sem a música, a vida seria um erro.” Friedrich Nietzsche
Hoje é o Dia Internacional da Música. A música, que na minha vida e em mim tem um papel central. É-me difícil seleccionar UMA música, para marcar a data. Por mais voltas que dê, é impossível seleccionar A música da minha vida. São tantas! Mas tantas! Mas, por acaso, hoje veio-me à memória quase instantaneamente uma música dos Pink Floyd, e que, por acaso, faz parte do meu primeiro CD... High Hopes, a última música do último ábum de originais, o The Division Bell. Diz-se que é mesmo a última música composta pelo grupo enquanto grupo. Acho que é uma boa música... Uma das melhores. E adoro o surrealismo do video.
Porque todos nós fazemos parte de uma qualquer Máquina. Resta não nos deixarmos corromper pelos meandros e interesses desse sistema complexo e preservar a nossa singularidade, como ser e indivíduo.
A música sempre teve um papel fundamental na minha vida. Digo sempre teve e ainda tem, cada vez mais. Este documento digital é disso um bom exemplo. E sobre o papel da música na minha vida tenho a vaidade de saber como tudo começou. Sei quase com toda a certeza o dia em que tudo começou. O dia em que comecei a realmente ouvir música, quando abri os ouvidos para a crítica, o saber gostar, o saber seleccionar e o saber ouvir, e ser fã. A partir desse tal dia passei então a ser eu a colocar a música que ouvia. Até então eram os outros, terceiros, que ouviam música, e eu se estivesse por perto, ia por arrasto.
Lembro-me perfeitamente de ser adolescente e estar de férias, completamente descontraído, no relax total, onde as tardes eram passadas numa sala que tínhamos lá em casa, transformada em bar/discoteca (que até tinha nome e tudo!) e que era o canto do meu irmão, mais velho que eu, onde ele recebia os amigos e onde tinha a sua aparelhagem (na década de 90 era da moda ter uma aparelhagem, quanto mais alta, melhor ;). Sim, a nível de som e luzes, o espaço estava bem apetrechado. Era um espaço bastante acolhedor. Fantástico! Já não existe, mas deixa muito boas recordações. O tal espaço acolhia também o nosso computador pessoal, que eu achava imensa piada e cujas tardes, manhãs e noites passava de volta daquilo. Esse tempo "perdido" ditou o que hoje faço... Bem, mas sobre o espaço, era mesmo muito porreiro. Passávamos lá imenso tempo, eu, o meu irmão, os meus primos, os amigos e as amigas do meu irmão, o cão, o gato... Era o nosso ponto de encontro, lá de casa. Bons tempos. E a música estava sempre connosco. Ouvia-se sempre música, sempre que a sala estava ocupada. Quem a seleccionava era o meu irmão e os amigos. De início, K7s e vinis, mais tarde CDs. A diferença de idades entre mim e o meu irmão ainda é alguma, por isso eu não ligava muito ao que eles ouviam e discutiam (era parvo, só podia), mas agora ao olhar para trás, constato que se ouvia muito boa música. Grandes bandas! Uma dessas bandas eram, claro, os Pink Floyd.
Um dos anos dessas maravilhosas tardes era o ano de 1994. Qquando não se estava a ouvir nada de especial na tal aparelhagem, a RFM era a rádio sintonizada. Também nos acompanhou muito esta rádio. As tardes eram então acompanhadas pela a RFM e lá começava a tocar uma música que me despertava muito a atenção. A música era muito intensa (lá está, itensidade!), e era uma música nova de uma banda chamada Pink Floyd. Foi aí a primeira vez que me lembro perfeitamente de uma música me bater forte. Tipo "mas o que é isto? isto é mesmo bom!" Comecei então a sentir a sede de saber mais, de ouvir mais, de consumir mais. Essa sede por música nunca mais passou. Na rádio, além desta música, Keep Talking, dava também outras músicas, mais antigas, como a Money ou a Time, que também me batiam! Estava então a descobrir Pink Floyd, e isso nunca deixa ninguém indiferente. Eu sei que fui tarde, mas acho que recuperei bastante bem o tempo ;) Sem até então saber, fui vasculhar os vinis do meu irmão e, espame-se, estava lá um álbum duplo e ao vivo, chamado Delicate Sound of Thunder. Consumi-o tanto que acabou por ficar riscado de tanto rodar.
Aquela música nova era então o single de avanço para o, na altura, novo álbum dos Pink Floyd, o The Division Bell, álbum esse que os trouxe cá a Portugal pela última vez. Lembro-me perfeitamente de sentir que gostava de ir ao concerto, mas que não tinha oportunidade para isso (na vida, vamos apanhando alguns desgostos...) Mas nem tudo foi perdido. Por causa do lançamento do The Division Bell e da vinda deles cá, a RFM andava a fazer um passatempo onde ofereciam umas camisolas da banda a quem fosse o mais rápido a responder a uma questão. A pergunta era "Qual foi o primeiro single do álbum The Division Bell?". A minha resposta pronta: "Keep Talking". Ainda hoje tenho essa camisola, que guardo e uso religiosamente ;)
I think I should speak now ___________ Why won't you talk to me I can't seem to speak now ____________ You never talk to me My words won't come out right ________ What are you thinking I feel like I'm drowning _____________ What are you feeling I'm feeling weak now _________________ Why won't you talk to me But I can't show my weakness _________ You never talk to me I sometimes wonder ___________________ What are you thinking Where do we go from here _____________ What are you feeling
Why won't you talk to me _____________ I feel like I'm drowning You never talk to me _________________ You know I can't breathe now What are you thinking ________________ We're going nowhere What are you feeling _________________ We're going nowhere
A partir esta música, nada foi como antes. Mesmo nada! Esta música mudou-me, literalmente. Sem ela, não seria o que sou hoje.
one sound, one single sound one kiss, one single kiss a face outside the window pane however did it come to this?
era fim de tarde e a luz entrava tímida pela janela do quarto nele, só estávamos nós eu, deitado na cama tu, sempre no meu pensamento
a música tocava, acompanhava-me em te sentir tentava abraçar-te tentava tocar-te estavas demasiado em mim mas restava-me não te ter
a música tocava enquanto te expulsava te arrancava te feria e maltratava para deixares aquele quarto, meu aquele espaço em que entraste sem pedir para nunca mais sair
a luta tornara-se demasiado dolorosa deixei por fim que me consumisses baixei as forças e sucumbi
ali no quarto ficaste então tu poderosa, comigo deitado a teus pés sem fôlego, e sem ti mas sentia-te, sentia-te como nunca
com o teu jeito continuaste a pertencer-me todos os dias, todas as noites via-te longe mas sentia-te perto para nunca te ter
ficou apenas a tua música
O poder da música. Engraçado como uma simples música nos liberta memórias que jultavamos adormecidas e nos transporta para sentidos fantásticos.
Porque tropecei hoje num post de um blog que falava deles, dos Pink Floyd. Se há música que se sente, é a deles. Não vou escrever sobre eles, dispensam apresentações. Uma música que me assalta e arrepia sempre é esta Shine On You Crazy Diamond... Lá está, estou a ouvi-la e estou arrepiado. Não fico bem a ouvir esta música. Mas é deliciosa. Custa mas é um mal que sabe bem...
Comprei o meu primeiro CD em 1994. O disco em causa é o The Division Bell, o último álbum de originais dos Pink Floyd. E foi o meu primeiro CD por várias razões. Na altura o CD foi muito anunciado na rádio (especialmente a RFM, que era a que eu ouvia), passavam muitas outras músicas dos Pink Floyd (como a Money e a Time) e eu comecei a gostar da banda. O meu irmão tinha o 2Vinil do The Delicate Sound of Thunder, e que eu comecei a ouvir com muita fome. O CD então saiu e lá fui comprá-lo. Lembro-me que foi em Oliveira de Azeméis, no pseudo/Shopping Raínha, e que custou 3.600$00 (carote!). Ainda sei estes detalhes precisamente porque foi o meu primeiro CD :) Desde essa altura que os Pink Floyd são a minha banda rock preferida. Ouvi-os em muitas alturas da minha vida, em momentos bons e em maus momentos também. Este não é o melhor álbum dos Pink Floyd, seguramente. Mas para mim é o melhor, porque ouvi-o bastante no tempo certo, ou seja, quando saiu, e aprendi a gostar de forma individual e pessoal cada uma das músicas.
Gosto de todas as músicas, mas a minha música preferida do The Division Bell é a Wearing the Inside Out, a música mais deprimente do disco. E é a minha música preferida do álbum desde sempre. Na altura desconhecia a minha "queda" para a música mais darkside, já gostava do género... pelo menos do que me chegava aos ouvidos e que era do mais ou menos do género :) Esta música Wearing the Inside Out não é cantada pelo Gilmour, o vocalista da banda, depois do Syd Barret, mas sim pelo teclista Richard Wright. E é uma das duas músicas que nunca foi tocada ao vivo pela banda!
A capa é fantástica, o artwork também, e o CD tem na caixa um detalhe fantástico. Na caixa tem uma gravação em braile que diz "Pink Floyd". Nunca mais apanhei um CD com um detalhe deste género!
Na altura do lançamento a banda fez uma tour gigantesca, que passou por Portugal. Costumo dizer que tenho 3 concertos da minha vida: VNV Nation (que perdi descaradamente a oportunidade de os ver no HC/Gaia, já com bilhete e tudo mas também com 39,5 de febre na noite do espectáculo... a febre levou a melhor sobre o bilhete :( ), The Fields of the Nephilim e, claro, Pink Floyd. Este claro que é incomparável aos outros dois... Não os vi em 1994, mas tenho uma recordação: ganhei na RFM uma camisola do álbum :p (pergunta: qual o primeiro single do álbum? resposta: Keep Talking) Depois do Live8 veio a confirmação e a desilusão. A banda não se vai reunir nem realizar futuras tours (os anos pesam!). Resta-me ficar pelo 2DVD The Pulse! Ah, os concertos deste DVD já não é material novo para mim. Passou na RTP em 1994 ou 1995, e eu vi e revi, pois na altura gravei em VHS :p Até o "transferi" para uma K7 audio! Mas é um excelente documento! Ah outra vez! A CAIXA ESPECIAL Shine On (que fantástica peça de colecção)! Já estive com uma na mão, mas quando me decidi a comprar, e como é uma edição especial, já não havia/existe! Ninguém sabe/tem uma caixa para venda??
Aqui fica o vídeo de uma versão ao vivo da música Wearing the inside out.